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© 2020 by Sirlanney.

"O preguiçoso sempre acha que está trabalhando demais."


Bong Joon-Ho e algumas de suas estatuetas.

Essa é uma frase clássica do Victor, um amigo gênio, que tive a honra de ter por perto enquanto morava em Fortaleza, estudando Moda. Ele falava isso geralmente quando eu estava queixosa, achando que possivelmente não era normal o quanto eu me cobrava excelência. Olhando agora, com mais de uma década de distância (Uau!), eu vejo que ele estava redondamente CORRETO. Eu empurrava a faculdade com a barriga, entre uma festa e outra. Como podia passar pela minha cabeça que eu estava me cobrando demais? Era uma piada.


Agora, 15 anos depois, estou começando um tratamento com um novo psiquiatra que, aliás, estou adorando. Até agora foram poucas sessões, estamos naquela fase em que ele tem as primeiras impressões de mim. Mas parece que de uma coisa ele já está certo: eu me cobro demais. Eu preciso ser mais generosa comigo, eu preciso me acolher mais. É claro que eu não sou mais aquela jovem saída de uma adolescência complicada, curtindo a vida adoidado. Agora tenho responsabilidades que amo, tento ser organizada e ter quase, digamos, um padrão de excelência... Mas não é para tanto! Tento me exercitar regularmente (já que meu corpo não vai ficar saudável sozinho), ler o máximo que eu conseguir por dia, etc. Mas daí dizer que eu me cobro demais é um tremendo exagero.


O que eu respondi quando ele me disse isso foi: Dr., eu tenho uma quantia de coisas que preciso fazer para manter minha vida funcionando de forma eficiente e eu faço aproximadamente 10% delas. Com isso eu tava querendo demonstrar como minha eficiência é baixa. Provavelmente ele entendeu que eu me cobro demais. Fico pensando no Bong Joon-Ho e suas estatuetas do Oscar... Será que o psiquiatra dele fala que ele se cobra demais?


Depois pensei bem, o que o médico provavelmente quis dizer não foi que eu produzo muito, mas que eu fico muito tensa com qualquer coisa que eu precise fazer. Como uma boa neurótica-obsessiva, estou sempre com a culpa atada sobre as minhas costas. Faz sentido... Vomitei esses dias, senti um aperto no peito. Sempre julgava que era uma baboseira quando alguém escrevia sobre "ansiedade isso", "ansiedade aquilo"... Até sentir o baque em minha pele, ou melhor dizendo: meu estômago. De forma que agora estou tentando respirar mais — apenas observar minha respiração — e tentando lembrar, sempre que possível, que eu não sou o Bong Joon-Ho.



Atualizado: Fev 17

"Princípio básico: quanto mais importante uma vocação ou ação for para a evolução de nossa alma, mais Resistência sentiremos em persegui-la" — Steven Pressfield


Der arme Poet, 1839, von Carl Spitzweg

Nos primeiros dias desse ano, eu estava numa onda pesada de piratear todos os livros que eu conseguisse pelo lelivros.love , e qual foi minha alegria quando me deparei com a A Guerra da Arte, de Steve Pressfield. Alegria e surpresa, pois fazia anos que eu perseguia esse livro por livrarias e na internet, e tudo me levava a crer que estava esgotado. Guerra da Arte foi um livro que li no início da faculdade e foi muito importante para mim, tanto que eu sempre falo dele, em palestras e cursos que dou sobre a vida criativa. Por isso, provavelmente voltarei a escrever sobre ele aqui.



O livro fala basicamente da batalha diária que um escritor, artista, ou qualquer pessoa que queira fazer algo de importante, enfrenta. É real! Muito real. Eu mesma, que posso me considerar uma veterana nesse ringue, vez por outra quando vejo alguém falando da dificuldade de escrever, ou vejo um personagem assim em algum livro ou filme, me pego pensando: "Que balela, é só sentar e escrever!" Mas daí, quando sou eu mesmo que preciso sentar e escrever, vejo a tortura que é.


A questão aqui não é deixar a coisa maior do que é. Mas ter noção que ela existe, pois sabendo do perigo, maior é a possibilidade de se preparar para vencê-lo. Hoje eu tenho consciência dessa luta, vejo muito bem quando eu perco, vejo quando eu ganho, mas até agora tenho conseguido me reerguer, juntar meus cacos, e continuar lutando. Eu crio técnicas para superar, quero escrever mais sobre essas técnicas depois também. Embora não possa garantir 100% de confiabilidade nas técnicas, pois a luta é diária, você nunca pode achar que venceu completamente, porque é aí que a Resistência te derruba.


E aqui vou eu para mais um dia de batalha. Rezo a Musa para que me proteja e fique ao meu lado que irei protegê-la também. O trabalho precisa ser feito, oxalá seja grandioso ou de bom tamanho... Talvez fique péssimo também. O importante é que precisa ser feito, um passo de cada vez!

Atualizado: Fev 17


Pedaço da página 33 de Até Marrakech

Ah... Escrevendo meio sem saber o que escrever. Apenas para estimular o hábito de manter o blog atualizado. Digo, não preparei uma postagem inspirada em torno de algum tema, como eu gostaria que fosse sempre aqui. Vou só lançar um panorama sobre esses dias e o que tenho feito, da forma mais breve possível, claro.


Para começar, não consegui seguir o cronograma de escrever segundas, quartas e sextas. Quarta estava viajando, sexta estava correndo para terminar o capítulo 8 de "Até Marrakech" (a novela gráfica que estou escrevendo) e postar no Catarse para os assinantes . O Cartarse e o livro são minhas prioridades agora. No capítulo que terminei essa semana, falei exatamente sobre essa minha ilusão de querer realizar muitas atividades artísticas ao mesmo tempo, como pintar telas, fazer estudos e desenhos de observação, fazer quadrinhos, zines, etc etc. O que, invariavelmente, me leva a alguma depressão por não conseguir fazer tudo. Portanto, é uma ambição que aprendi a evitar. Agora eu sigo um cronograma bem realista para a produção do livro. Fui criando de acordo com a produção: observando o que eu conseguia fazer, dentro do tempo e energia que tenho disponível. Agora estou com uma meta de produzir 5 páginas por semana, o que é uma quantia bem baixa, e acredito que posso acelerar. Ainda assim, essa meta mínima me mantem ocupada das 8h às 18h, com intervalo de 1h pro almoço, claro. A primeira hora (de 8h às 9h), eu também passo às vezes olhando e respondendo emails, arrumando a mesa de trabalho, atualizando o bullet journal, etc. Esse horário de trabalho se repete todos os dias da semana, a menos que eu viaje. Cada dia faço uma etapa do trabalho. Por exemplo: um dia esboço as páginas, no outro dia desenho, no outro finalizo e assim por diante.

As três etapas de uma página.

Agora o que eu tento fazer é acabar tudo até sexta-feira e ter o sábado e o domingo livres, para fazer algumas dessas coisas: pintar, estudos, arrumar a loja/site, fazer quadrinhos, etc. E, bom, essa é minha rotina semanal, essa é minha vida. Não reclamo, não acho que trabalho demais. Trabalho fazendo o que amo. Tudo que faço em torno disso eu amo: ler, estudar, desenhar. Tento apenas organizar o tempo, para que eu consiga realizar tudo isso que amo... E organizar minha energia também... Porque, mesmo amando, as vezes eu fico bem cansada e só quero assistir um filme, sair para passear e beber uma cerveja.