Atualizado: Mai 19

Nesse momento difícil de pandemia que estamos vivendo, um dos paradigmas que mais estão sendo revistos é o da "produtividade como excelência". Onde nosso valor é dado pela capacidade que temos para ser uma boa máquina que gera bens de consumo para o mercado. Não faço ideia de como as coisas vão ficar, estou tentando compreender ainda. Mas sei que nós, operários, por enquanto, ainda precisamos continuar trabalhando. E alguns de nós, privilegiados, podem trabalhar de forma segura, em casa. Então resolvi compartilhar com os novatos do home office algumas das minhas estratégias para fazer isso funcionar, de forma que eu fique relaxada e consiga manter pelo menos um pouco da sanidade que ainda me resta.

Até pouco tempo atrás estava organizando minha rotina em blocos de 2 horas. Agora eu mudei um pouquinho, mas a base continua sendo a mesma. Numa próxima postagem falo sobre o que mudei. Nesta, irei falar sobre a estrutura em si: os blocos de +- 2 horas, que aprendi nesse texto da Thais Godinho - blog Vida Organizada. Eu adaptei a estrutura da rotina dela para as minhas atividades, minha realidade e criei minha própria rotina. Mostro aqui para vocês, caso alguém queira fazer o mesmo. Eu acho super válido! Tem me ajudado bastante a ser uma pessoa mais de boas com minhas funções como artista e com o que quero fazer do meu dia.


Como Funciona Minha Rotina Diária:

  • Divido meu dia em três turnos: Manhã, Tarde e Noite, que são os horários que estou acordada. Mas acredito que você pode adaptar os blocos para os horários que você está acordado/a.

  • Divido cada turno em 3 blocos de 2 horas. Exceto a Noite, que para mim percebo que funciona melhor dividir em 2 blocos.

Fica assim:




Manhã


  • 1º BLOCO Acordar, ler jornais, tomar café com meu amor, escrever no diário, atualizar a agenda — nem todo dia dá pra escrever no diário e atualizar a agenda, então eu escolho o que estiver mais afim de fazer. Enfim, tento começar bem o dia!

  • 2º BLOCO Começo fazendo os trabalhos mais leves, para eu ir me acostumando com a ideia de trabalhar, risos. Aí vai desde de trabalhos mais suaves como escrever textos, pagar contas, fazer quadrinhos aleatórios, até o que chamo de "Fly Lady", que são trabalhos para cuidar da casa ou de mim mesma: lavar a roupa, varrer a sala, etc.

  • 3º BLOCO São as 2 últimas horas da manhã, é aquela hora que eu tenho que enfrentar o leão e jogar o medinho fora, quando eu me jogo no que chamo de Deep Work — não me pergunte o porque do anglicismo, copiei do modelo da Thais também. Deep Work são trabalhos mais difíceis, cansativos e/ou que precisam de mais concentração. Geralmente isso ocorre de 10 as 12... Mas dependendo do volume de coisa que eu tenho para fazer (e do tamanho do meu ânimo) começo antes.


Tarde


  • 1º BLOCO Geralmente de 12h às 14h. Este é o horário que junto com meu namorido, preparo o almoço, comemos enquanto conversamos sobre o que estamos pensando, sentindo, qualquer bobeira, etc. Às vezes, invado o próximo bloco (Trabalho de Boas) se quero ficar mais um tempinho na cama.

  • 2º BLOCO Esse é um pouco como o 2º Bloco da manhã: trabalhos fáceis, estudos, pagamento de contas, fly lady, etc.

  • 3º BLOCO Como o último bloco da manhã, minha última chance de fazer algo de útil no dia. O mais difícil é largar o que to fazendo (provavelmente algo que gosto mais) e fazer o que realmente preciso fazer, geralmente me motivo pensando na gravidade da coisa. Esse bloco vai no máximo até 19h. A partir daí: Cabô trabalho! Zaps só com família e amigos íntimos.

Noite


  • 1º BLOCO Já começo abrindo uma cerveja :) Nem sempre, mas quase sempre. Dizem que 1 cerveja ao fim do dia é bom para alinhar os chacras u.u Eu e o namorido preparamos algo gostoso para comer. Depois assistimos filmes, ou séries, ou jornal, ou vídeos no youtube, etc.

  • 2º BLOCO Começo meu "ritual para dormir". Tomo banho, limpo e hidrato o rosto, leio um livro, medito, tomo meus remédios e apago.


Pronto! Isto é basicamente o que faço quase todos os dias da minha vida, exceto Sábado e Domingo! No fim de semana eu evito o máximo que posso qualquer trabalho, tipo Seu Madruga mesmo! E como vocês estão organizando a vida nesse novo contexto? Deixem dicas e/ou dúvidas, nos comentários! No próximo texto, vou falar sobre como estou usando essa estrutura para ficar ainda mais dibouas. ✌

Desde 2017 eu comecei a usar a ferramenta da Mandala Lunar no meu Bullet Journal, como explico nesse vídeo que fiz para o youtube, onde eu ensino a fazer uma. Hoje eu faço de um jeito bem mais simples (imprimo e colo) mas continuo tentando usar religiosamente todos meses. Em breve farei um vídeo explicando direitinho como uso a Mandala Lunar, mas agora resolvi escrever sobre o que observei no último mês - Janeiro.


Mandala Lunar de Janeiro

Eu uso a Mandala Lunar para observar minhas mudanças internas e externas, de acordo com meu ciclo menstrual, com as fases da lua, com os acontecimentos dos dias, consumo de bebida alcoólica e várias outras coisas. Falando de forma resumida, o que eu preciso fazer para manter a Mandala atualizada é, todos os dias, de preferência à noite, colorir de acordo com meus chakras e de como estou me sentindo naquele dia específico. Depois, se tiver acontecido algo relevante, fazer uma breve (muito breve) anotação, e anotar outras coisas que aconteceram, ou que eu senti, em símbolos, de acordo com uma tabela de símbolos que eu criei e que fazem sentido para mim. Isso demora cerca de 5 a 10 minutos. É bem rápido mesmo. Mas o que eu tenho observado (não só no mês passado, mas em vários meses que fiz mandala) é que ela só existe até a primeira quinzena do mês. A segunda quinzena eu simplesmente a abandono.


Minha tabela de símbolos.


Esse ano de 2020 eu decidi que quero fazer Mandala Lunar todos os meses, para conseguir visualizar melhor o ano quando ele acabar. Fiquei um pouco impressionada quando vi que a Mandala só foi preenchida até o dia 13. E a Mandala é também o reflexo de toda a minha organização. A segunda metade do mês eu simplesmente não organizei mais coisa nenhuma. Fico tentando imaginar o motivo para isso... A lua minguando depois de ter estado plenamente cheia? Intensidade hormonal do meu período fértil? Ou simplesmente cansaço, depois de passar 15 dias anotando tudo e sendo super organizada? Tipo, simplesmente um "foda-se". Não sei. O que eu sei é que esse mês, dia 13, passei mal. Não consegui dormir vomitando muito... Os dias depois foram de mal estar, ansiedade, desanimo de fazer qualquer coisa. Mas dessa vez, observando o que tinha acontecido mês passado, tentei pelo menos reservar aqueles 5 minutinhos para atualizar a Mandala, com cores fracas nos chakras de quem não está se sentindo bem, e símbolos de enjoo, ansiedade, dor de cabeça, etc.


Nesse momento que meu corpo pede descanso, vou tentar me manter fazendo mecanicamente as tarefas usuais da minha rotina. Sem pensar muito, sem esperar fazer algo "incrível", simplesmente seguindo. Me permiti descansar também uns dois ou três dias sem fazer nada, meditando bastante. Talvez sejam só ciclos, e tá tudo bem — como dizem. A Mandala Lunar, para mim, serve para isso: para aprender a observar e ouvir o meu corpo, compreender meus ritmos, melhorar o que eu puder e reduzir a marcha quando for preciso.

"O preguiçoso sempre acha que está trabalhando demais."


Bong Joon-Ho e algumas de suas estatuetas.

Essa é uma frase clássica do Victor, um amigo gênio, que tive a honra de ter por perto enquanto morava em Fortaleza, estudando Moda. Ele falava isso geralmente quando eu estava queixosa, achando que possivelmente não era normal o quanto eu me cobrava excelência. Olhando agora, com mais de uma década de distância (Uau!), eu vejo que ele estava redondamente CORRETO. Eu empurrava a faculdade com a barriga, entre uma festa e outra. Como podia passar pela minha cabeça que eu estava me cobrando demais? Era uma piada.


Agora, 15 anos depois, estou começando um tratamento com um novo psiquiatra que, aliás, estou adorando. Até agora foram poucas sessões, estamos naquela fase em que ele tem as primeiras impressões de mim. Mas parece que de uma coisa ele já está certo: eu me cobro demais. Eu preciso ser mais generosa comigo, eu preciso me acolher mais. É claro que eu não sou mais aquela jovem saída de uma adolescência complicada, curtindo a vida adoidado. Agora tenho responsabilidades que amo, tento ser organizada e ter quase, digamos, um padrão de excelência... Mas não é para tanto! Tento me exercitar regularmente (já que meu corpo não vai ficar saudável sozinho), ler o máximo que eu conseguir por dia, etc. Mas daí dizer que eu me cobro demais é um tremendo exagero.


O que eu respondi quando ele me disse isso foi: Dr., eu tenho uma quantia de coisas que preciso fazer para manter minha vida funcionando de forma eficiente e eu faço aproximadamente 10% delas. Com isso eu tava querendo demonstrar como minha eficiência é baixa. Provavelmente ele entendeu que eu me cobro demais. Fico pensando no Bong Joon-Ho e suas estatuetas do Oscar... Será que o psiquiatra dele fala que ele se cobra demais?


Depois pensei bem, o que o médico provavelmente quis dizer não foi que eu produzo muito, mas que eu fico muito tensa com qualquer coisa que eu precise fazer. Como uma boa neurótica-obsessiva, estou sempre com a culpa atada sobre as minhas costas. Faz sentido... Vomitei esses dias, senti um aperto no peito. Sempre julgava que era uma baboseira quando alguém escrevia sobre "ansiedade isso", "ansiedade aquilo"... Até sentir o baque em minha pele, ou melhor dizendo: meu estômago. De forma que agora estou tentando respirar mais — apenas observar minha respiração — e tentando lembrar, sempre que possível, que eu não sou o Bong Joon-Ho.



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